
Manter a manutenção preventiva em dia é um dos pilares da segurança veicular. Entre os itens mais importantes e também mais negligenciados, está o fluído de freio. Embora não seja visível como pastilhas ou discos, ele exerce um papel central no funcionamento do sistema.
Por isso, fabricantes especialistas recomendam trocar o fluído de freio a cada 2 anos, independentemente da quilometragem.
O papel do fluido de freio no sistema
Para entender a importância da manutenção, precisamos compreender como o sistema funciona. O fluido de freio atua sob alta pressão e temperaturas extremas. Quando você pisa no pedal, o fluido empurra os pistões que, por sua vez, acionam as pastilhas contra os discos.
Esse processo gera um calor intenso. Por isso, o fluido deve ter um alto ponto de ebulição. Se o líquido ferve, bolhas de vapor se formam no sistema. Como o vapor pode ser comprimido com facilidade (ao contrário do líquido), o freio falha justamente no momento em que você mais precisa dele.
Por que trocar o fluido de freio a cada 2 anos?
A dica que a maioria das montadoras dão é, realizar a substituição a cada 24 meses ou 20 mil km, o que ocorrer primeiro. Mas por que esse prazo é tão rígido?
Higroscopia: o inimigo invisível
O fluido de freios é higroscópico. Isso significa que ele tem a capacidade natural de absorver a umidade do ar. Mesmo em sistemas que teoricamente são selados, a umidade penetra pelas porosidades das mangueiras e pelas tampas do reservatório ao longo do tempo.
Quando o teor de água no fluido aumenta, o seu ponto de ebulição cai drasticamente. Um fluido DOT 4 novo ferve em torno de 230°C. Com apenas 3% de contaminação por água, essa temperatura de ebulição pode cair para menos de 150°C, aumentando assim o risco da perda de eficiência por calor.
Corrosão interna do sistema
Além do risco de ebulição, a água acumulada provoca a oxidação de componentes metálicos internos, como o cilindro mestre e as pinças.
Se o seu carro possui freios ABS, o prejuízo pode ser ainda maior. A umidade oxida as válvulas do módulo do ABS, uma peça de alto custo que poderia durar toda a vida útil do carro com a manutenção preventiva em dia.
Sinais de que o fluído perdeu a validade
Nem sempre o motorista precisa esperar os dois anos para notar problemas. Fique atento a estes sinais:
- Pedal elástico ou baixo: Se você sente que precisa afundar o pé mais do que o normal para o carro parar.
- Luz de advertência no painel: O ícone de exclamação (!) em vermelho pode indicar nível baixo ou contaminação.
- Mudança na cor: O fluido novo é geralmente límpido e amarelado (ou rosado, dependendo da especificação). Se estiver escuro ou com aspecto de "suco de uva", a troca é urgente.
Tipos de fluido: DOT 3, 4 e 5.1
Ao trocar o fluido de freio, é essencial seguir a recomendação do manual do proprietário. As classificações DOT (Department of Transportation) indicam o ponto de ebulição:
Tipo | Ponto de Ebulição (Seco) | Uso Comum |
DOT 3 | 205°C | Carros antigos e populares |
DOT 4 | 230°C | Padrão atual da maioria dos veículos |
DOT 5.1 | 260°C | Veículos de alta performance ou pesados |
Importante: nunca mistura tipos diferentes sem orientação técnica, pois as bases químicas podem ser incompatíveis.
Manutenção preventiva
Trocar o fluído de freio é uma das manutenções mais baratas de um veículo. O custo do frasco e da mão de obra é pequeno se comparado à substituição de um módulo ABS ou, pior, ao custo de um acidente.
Ao comprar um carro usado, por exemplo, essa é uma das primeiras verificações a serem feitas. Como não se sabe o histórico de manutenção do dono anterior, a substituição preventiva é o caminho mais seguro para garantir que o sistema esteja operando com 100% de capacidade.
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Trocar o fluido de freio a cada 2 anos não é apenas uma recomendação de "check-list" de oficina, mas uma medida crítica de segurança viária. Ao manter o sistema livre de umidade, você preserva componentes caros e garante que o pedal responda prontamente em situações de emergência.
