
Em poucos anos, as montadoras chinesas deixaram de ser coadjuvantes e hoje já correspondem por cerca de 10% das vendas dos veículos novos no Brasil.
Pela primeira vez, marcas como BYD e GWM não apenas competem em nichos específicos, mas desafiam diretamente o “G4” tradicional (Fiat, Volkswagen, GM e Ford). Mas o que explica esse crescimento acelerado e o que o motorista brasileiro ganha com esse avanço tecnológico?
Avanço das montadoras chinesas no Brasil
Até poucos anos atrás, a presença chinesa no Brasil era pontual e cercada por desconfiança. Modelos com pouco reconhecimento e rede de concessionárias limitadas dificultavam a expansão.
Esse cenário começou a mudar a partir de 2020, com uma nova geração de produtos e estratégias mais maduras.
Marcas como BYD, GWM e Caoa Chery lideram esse novo ciclo. Dados do mercado indicam que, somadas essas fabricantes já alcançaram representam 1 em cada 10 veículos emplacadas no país, considerando carros de passeio e SUVs.
Por que o brasileiro está abandonando as marcas tradicionais?
A migração do consumidor não é apenas uma questão de preço. Existe uma percepção de valor que as marcas chinesas souberam explorar. Ao oferecer um sedan médio pelo preço de um hatch a combustão, ou um carro elétrico compacto com acabamento superior a qualquer outro veículo de entrada.
Na prática, eles criaram um novo padrão de exigência:
- Tecnologia de ponta: Itens como ADAS, telas flutuantes de alta resolução e comando por voz, que antes eram restritos ao segmento premium, tornaram-se itens de série.
- Eficiência energética: Com o preço dos combustíveis fósseis instável, o baixo custo por quilômetro rodado dos elétricos e a autonomia dos híbridos (que pode superar 1.000km com um tanque e carga) atraíram o público racional.
- Garantia estendida: Para vencer a barreira da desconfiança mecânica, muitas dessas montadoras oferecem até 8 anos de garantia, o que supera a média do mercado nacional.
Esse conjunto faz com que o consumidor compare menos “marca contra marca” e mais “produto contra produto”.
Produção nacional
Um dos principais argumentos contra as marcas importadas era a dificuldade de peças e a desvalorização na revenda. No entanto, o jogo mudou com a nacionalização da montagem.
A BYD assumiu e ampliou o complexo industrial antes utilizado pela Ford em Camaçari (BA), enquanto a GWM revitalizou a planta da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP). Além da montagem local, os projetos incluem centros de engenharia, desenvolvimento e logística.
Trazer a produção para o solo brasileiro reduz custos logísticos, diminui a dependência de importações e transmite ao consumidor uma mensagem clara: essas empresas não estão apenas “testando o mercado”, mas planejando presença de longo prazo.
Rede de concessionárias e pós-venda
Outro ponto sensível no passado era o pós-venda. Com o aumento das vendas, as marcas chinesas aceleraram a expansão de concessionárias e centros de distribuição de peças. Hoje, grandes capitais e regiões estratégicas já contam com cobertura semelhante à de marcas tradicionais.
Ainda assim, o crescimento rápido exige atenção do comprador, especialmente no mercado de usados. Avaliar histórico de manutenção, procedência e registros do veículo se torna essencial para uma compra segura.
Novos players chegando
O sucesso da “primeira onda” abriu caminho para marcas que estão chegando ou expandindo no mercado, como:
- Omoda & Jaecoo: Braços premium do grupo Chery com foco em design e sofisticação.
- Leapmotor: Em parceria com a Stellantis, focando em mobilidade elétrica acessível.
- Zeekr e Geely: Trazendo tecnologia de luxo (a Geely é proprietária da Volvo) para o mercado de massa.
Impacto no mercado de usados
Com mais carros chineses circulando, o mercado de usados começa a se ajustar. A oferta aumenta, os preços se ajustam e surgem novas oportunidades e também novos cuidados.
Modelos eletrificados, por exemplo, exigem atenção especial ao histórico de manutenção. Verificar dados confiáveis antes da compra ajuda a reduzir riscos e garante uma negociação mais segura
Antes de concluir: atenção ao histórico do veículo
Antes de comprar um carro, especialmente usado ou seminovo, vale consultar o histórico completo do veículo.
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As montadoras chinesas no Brasil deixaram de ser uma promessa distante e já são uma realidade consolidada, com cerca de 10% de participação no mercado. Seu crescimento redefine padrões, acelera a inovação e amplia as opções para o consumidor brasileiro.
